Amnistia Internacional declara ativista de Cabinda "prisioneiro de consciência" origem da noticia Club-k
Luanda - A Amnistia
Internacional declarou como "prisioneiro de consciência" o ativista José
Marcos Mavungo, detido em Cabinda desde março e que arrisca uma pena de
até 15 anos de prisão, acusado do crime de rebelião contra o Estado
angolano.
Fonte: Lusa
A
informação consta de uma nota daquela organização, a que Lusa teve hoje
acesso, na qual se apela à pressão internacional para exigir a
libertação "imediata e incondicional" do ativista dos Direitos Humanos,
em prisão preventiva há seis meses.
"A
Amnistia Internacional considera que José Marcos Mavungo é um
prisioneiro de consciência por estar acusado e detido apenas pelo
exercício pacífico dos seus direitos de liberdade de expressão,
associação e reunião, e que se destina a intimidar outros críticos do
Governo [angolano]", lê-se na mesma nota.
Trata-se do quarto cidadão de Cabinda -
província e enclave em que é reclamada a independência de Angola - a ser
declarado "prisioneiro de consciência" pela Amnistia Internacional
desde 2007.
O Tribunal de Cabinda agendou para a
próxima segunda-feira a leitura da sentença deste caso, que resultou de
uma tentativa de organização pelo réu de uma manifestação em Cabinda,
processo que o Ministério Público angolano pede uma condenação de 12
anos de prisão, numa moldura penal que vai dos três aos 15 anos de
reclusão.
Durante o julgamento, que decorreu entre
26 e 28 de agosto, no Tribunal de Cabinda, foram ouvidas mais de uma
dezena de testemunhas.
Segundo o despacho de pronúncia do
Ministério Público, o ativista, de 52 anos, acusado também de incitar à
violência, surge associado à recuperação, pela polícia, de material
explosivo - 10 blocos de TNT de 200 gramas e um rolo de cordão detonante
- na véspera de uma manifestação agendada para 14 de março, na
província de Cabinda.
Estas acusações foram refutadas antes e durante o julgamento pela defesa e pelo arguido.
A manifestação que Mavungo estava a
organizar, contra a alegada má governação e violação dos direitos
humanos em Cabinda, foi proibida pelo governo provincial.
Em causa está a detenção, naquele dia,
de José Marcos Mavungo e de Arão Bula Tempo, de 56 anos, advogado e
presidente do Conselho Provincial de Cabinda da Ordem dos Advogados de
Angola - libertado de forma condicional em maio -, ambos então
apresentados como suspeitos da prática de crimes contra a segurança do
Estado e subversão.
Sobre José Mavungo, quadro de uma
petrolífera norte-americana que opera em Cabinda, a acusação do
Ministério Público associa-o à recuperação pelas autoridades, na véspera
da manifestação, ainda de "nove panfletos com conteúdos de incitamento à
violência".
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